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Carmilla: a primeira vampira

  • Foto do escritor: Tay Campos
    Tay Campos
  • 8 de abr. de 2021
  • 4 min de leitura

Ah, o século XIX.... Nessa época o vampiro já havia cravado sua própria estaca no imaginário popular através de lendas e superstições disseminadas a partir do folclore de culturas diferentes — mais especificamente da Europa Centro-Oriental — e, lentamente, estava se elevando à tradição literária.


Muito antes de Bram Stoker, outros autores já estavam enchendo ainda mais os pesadelos europeus com imagens de dentes afiados, sangue e estacas de madeira.


O grande sucesso de O Vampiro (1819) de John Polidori — que introduziu a figura do vampiro na literatura de prosa — deu sequência à uma legião de obras vampirescas, sendo o primeiro best-seller vampírico responsável pela figura do vampiro aristocrata e sedutor, oposto ao antigo vampiro repugnante que trazia em suas feições o peso e a aparência de um morto-vivo (revenant, na tradição alemã).


No meio dessa legião, e próximo ao nascimento da figura da femme fatale, surge Carmilla (1872) de Sheridan Le Fanu, um marco na literatura vampírica que estabeleceu a ambiguidade entre sedução e violência como característica para as vampiras futuras. É cogitado que o próprio Stoker tenha lido Carmilla e que este tenha servido de inspiração para suas obras, principalmente pela menção a uma bela Condessa da Estíria em O Convidado de Drácula (conto publicado em 1914, após a morte de Bram Stoker em 1912).

Carmilla é um absoluto clássico. Gótico e queer, a novela de 1872 nos apresenta à vampira muito amada, uma das primeiras da literatura e, mais que isso, a primeira vampira lésbica do universo literário. Sua ‘’degeneração’’ e sexualidade exacerbada eram vistas como transgressões na época, características essas frequentemente associadas ao vampirismo desde a tradição folclórica. Devido a sua natureza deviante e sensual, Carmilla é considerada uma femme fatale por alguns teóricos.


O livro se passa em um castelo isolado na Estíria, onde a chegada de uma hóspede inesperada traz à Laura esperanças de uma nova amizade; e aos arredores, promessas de terrores noturnos e rápidos padeceres.


Não há nenhuma dúvida sobre o quão absurdamente linda Carmilla é, além de gentil e educada, o que tranquiliza sua contraparte Laura após um primeiro encontro, em que uma reconhece a outra de um distante sonho de infância.


"— Não sei qual de nós duas deveria ter mais medo da outra — disse ela, sorrindo de novo. — Se você não fosse tão bonita, creio que eu sentiria um profundo receio, mas, sendo como é, e sendo nós duas tão jovens, é como se tivéssemos nos conhecido doze anos atrás e eu já tivesse o direito de tratá-la com familiaridade. De qualquer modo, parece que estamos destinadas, desde pequenas, a sermos amigas. Fico imaginando se sente por mim a mesma estranha atração que sinto por você. Nunca tive uma amiga; será que terei uma agora?"


(Tradução: Martha Argel e Humberto Moura Neto)


Laura constantemente descreve em sua narrativa as simultâneas atração e repulsa que sente por Carmilla, o que ao mesmo tempo faz muito sentido para mim como um sentimento natural a pessoas que estão no início de um processo de descobrimento queer e carregam consigo culpas, dúvidas e preconceitos. Também faz sentido como a atração pura e simples pelo sexo batalhando com um possível sentimento de ‘’tem algo errado aí’’, ou uma repulsa pela morte pressentida, inerente à Carmilla.


A literatura gótica já costuma trazer consigo uma intensidade e enxurrada de crises existenciais, culpa religiosa e amores escaldantes, agora, literatura gótica não só queer como lésbica, para mim, atinge outro nível de emoções e desesperos, o que eu amo.


Atrás apenas de Drácula no que diz respeito ao número de adaptações de obra vampiresca, Carmilla já foi adaptado diversas vezes para diferentes mídias como: cinema, teatro, rádio, animes etc.


Uma das adaptações que com certeza se consolidou junto a uma comunidade de fãs, pelo seu incrível trabalho com recursos limitados e ótima representação e diversidade de personagens, é a websérie Carmilla (2014), estrelada pelas maravilhosas Elise Bauman e Natasha Negovanlis, que interpretam respectivamente Laura e Carmilla.



Nessa adaptação o casal se encontra nos dias atuais, e assim como no livro, uma amiga de Laura sai de cena. No caso da websérie, é sua companheira de quarto na universidade quem desaparece sob circunstâncias misteriosas, sendo substituída por Carmilla aquela estória de fanfic a qual ninguém resiste, com a diferença de que nesse caso tem duas camas no quarto. A maior parte da websérie se passa nesse quarto que Laura e Carmilla dividem na universidade e é gravada como um registro jornalístico que a primeira faz tentando desvendar os mistérios que rondam o desaparecimento de sua antiga colega de quarto — e encontrando respostas para perguntas que ninguém nem queria fazer.


Ver essa história adaptada para a contemporaneidade como foi feito na websérie é incrível, e divertidíssimo porque ao mesmo tempo em que coisas absurdamente fantásticas acontecem a todo momento (bibliotecas assassinas, portais para outras dimensões e buracos gigantes se abrindo para o centro da Terra, por exemplo), todos os personagens são muitíssimos reais e provavelmente identificáveis nos nossos próprios amigos. Uma Laura extremamente nerd constantemente bebendo um cafézinho na sua caneca em formato de TARDIS namorando uma Carmilla mega estilosa, alternativa e existencialista é tudo que eu nem sabia que precisava até encontrar.


A verdade é que seja em um castelo na Estíria ou em uma universidade no Canadá, Carmilla é e sempre será um ícone feminino, vampírico e queer, e por mais morta que esteja, sempre estará viva no meu coração.

5 comentários


johnniwill.ia.ms4069
há 14 horas

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camilaol.son.9.6.903
15 de ago.

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lydiaharve.y50.4.4.4
24 de jul.

de88 mình cũng mới ghé thử vì thấy mọi người nhắc hoài, chủ yếu vào xem giao diện ra sao chứ chưa đọc kỹ nội dung. Vừa mở lên là thấy trang khá dễ thở, nền nhìn sạch sẽ nên mắt không bị mỏi. Mình để ý phần menu đặt ngay chỗ dễ thấy, bấm qua lại mấy mục không bị vòng vo hay phải mò nút. Nội dung trên trang chia thành các khối rõ ràng, kiểu nhìn lướt là biết đoạn nào nói gì, không bị dồn chữ sát nhau. Mình thích kiểu trình bày này vì đang xem dở mà muốn quay lại chỗ khác cũng tiện. Nói chung cảm giác dùng ổn, nhất là mấy khối…

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21 de jun.

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Editado
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savannapatt.er.s.on.7.0.4
17 de jun.

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