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Destaques de 2020

A peleja que foi o ano de 2020 finalmente acabou e uma das alternativas que recorremos - mais do que o normal - para manter a sanidade foi os filmes e as séries. Ainda que infelizmente tenhamos diversos grandes lançamentos adiados, o ano passado nos trouxe uma boa quantidade de produções que nos mostrou não apenas o por que amamos tanto o terror, mas também mostrou como gênero evoluiu. Senta aí que vamos separar os nossos grandes destaques de 2020.



O Homem Invisível


Um dos primeiros sucessos do ano dentro do gênero, a repaginação do personagem clássico dos Monstros da Universal ganhou aclamação unânime de público e crítica, proporcionando também uma das experiências mais memoráveis dentro do cinema no longínquo período em que a pandemia ainda não tinha nos acertado. Com direção e roteiro de Leigh Whannell, o novo Homem Invisível deixa de ser um acidente de laboratório e se torna uma assustadora deixa para comentar sobre relacionamentos abusivos - e a jornada de descrédito e catarse de uma personagem brilhantemente interpretada pela Elisabeth Moss.



O Que Ficou Para Trás


Um casal de refugiados do Sudão é colocado pelo governo inglês numa casa caindo aos pedaços até que a situação legal deles seja definida pelo sistema. Lá, estranhos e violentos acontecimentos sobrenaturais começam a acontecer. Um dos melhores exemplos de como usar o terror para falar sobre problemas sociais, sobre as angústias dos personagens e ainda sim assustar e entreter. Mais do que um filme sobre a questão dos refugiados, é um filme sobre pessoas aprendendo a lidar com os mortos do seu passado. Isso, claro, sem poupar nos sustos e nas cenas medonhas. Filme original Netflix.



Relic


O elogiado longa de estreia da diretora Natalie Erika James vai contar sobre três gerações de mulheres tendo que lidar com um mal antigo na sua família. Quanto menos se souber melhor. A diretora aqui consegue misturar o body horror com o terror sobrenatural para falar sobre a difícil experiência de ver alguém que você ama desaparecendo na sua frente por causa de uma doença, assim como o medo de que ela seja hereditária e você também venha a desenvolvê-la. A parte final do filme é uma das coisas mais intensas e assustadoras do cinema de horror recente ao mesmo tempo que o final é uma das coisas mais tristes e emocionantes que o cinema de gênero produziu em 2020.



Host


A repercussão repentina de Host, um pequeno filme com menos de 1h e lançado num serviço de streaming que nem sequer está disponível em muitos territórios internacionais, não foi por nada. Produzido inteiramente da necessidade criativa de sua equipe em plena quarentena, o projeto consegue ultrapassar os clichês batidos de sua história (uma sessão espírita que dá errado) e de seu formato (situado inteiramente na tela de um computador) para tocar no medo universal que nos uniu em 2020: a isolação. Claro que o elenco carismático, boa narrativa e sustos simples mas incrivelmente eficiente também contribuíram.



Freaky


Um produto perfeito de seu tempo, Freaky é a nova aposta no slasher de Chris Landon após os icônicos A Morte te dá Parabéns 1 e 2. Aqui ele se mostra um pouco mais maduro e com liberdade para lidar com o delicioso subgênero. Muitas vezes comparado com Pânico por conta de seu teor satírico, o filme vai muito além da autoconsciência das regras do slasher e as usa não apenas como uma piscadela para o expectador, como também para desconstruí-las completamente. Aqui temos uma inversão dos papéis de assassino e final girl, além de todo o subtexto extremamente queer que permeia toda a duração. É bobo, divertido, perverso, inteligente e gloriosamente irreverente em sua forma de falar sobre gênero e sexualidade. Facilmente uma das melhores incursões modernas do slasher e um dos filmes mais safados do ano. Nós, como os bons viadinhos mórbidos que somos, amamos.



Possessor


Provando que tem os genes do pai mas também tem o potencial para ser um cineasta tão provocativo quanto, o segundo longa de Brandon Cronenberg é uma enervante ficção-científica sobre uma corporação secreta especializada em infiltrar e possuir corpos para cometer crimes sem deixar rastros. No que deveria ser sua última missão, a agente Tanya Voz (Andrea Riseborough) logo se vê prisioneira dentro de seu novo hospedeiro (Christopher Abbott). Flertando com o que o body-horror tem de melhor, Possessor não é apenas um dos melhores do ano, mas um dos mais memoráveis dentro do gênero.



She Dies Tomorrow


Nesse filme esquisitissimo nós acompanhamos uma mulher que acha que irá morrer no dia seguinte e como a sua paranóia se espalha igual um vírus. Colocado na lista de melhores filmes de terror do ano pela Rolling Stones, a diretora mistura elementos de terror cósmico com comédia do absurdo para falar sobre esses sentimentos de ansiedade e paranóia que nos afligem sem razão alguma. É um filme bem peculiar e que divide bastante opiniões, mas amando ou odiando é inegável que este é um dos filmes mais originais do cinema norte-americano a sair esse ano.



Run


Você já assistiu Run. Talvez a princípio você até imagine que está prestes a ver algo diferente, mas a verdade é que o roteiro dele é quase inteiramente familiar para quem acompanha o gênero - ou até mesmo já viu 1 ou 2 suspenses da Lifetime. Se esse é o caso, por que ele está na lista de melhores do ano? Adicione uma direção criativa e inteligente na arte de criar suspense, um roteiro que é autoconsciente de sua previsibilidade e duas performances arrasadoras das protagonistas Sarah Paulson e a novata Kiera Allen e você vai ter uma das experiências mais eletrizantes e divertidas do ano.



Canto dos Ossos


Caso você tenha vivido em alguns festivais de cinema que rolaram no Brasil esse ano, talvez tenha se deparado com essa belezinha aqui. Dirigido pelos promissores Petrus de Bairros e Jorge Polo, Canto dos Ossos é um sonho etéreo brasileiro cheio de referências vampirescas aos clássicos do gênero e muita viadagem. A história é simples: duas vampiras decidem se separar e décadas depois vão se reencontrar, uma tentando uma vida "normal" enquanto a outra caça suas presas durante a noite. Com um orçamento apertado e paixão de sobra, o elenco e a direção transformam essa pequena obra do cinema de horror nacional em algo monumental que realmente vai deixar uma marquinha em você depois de assistir.



Scare Me


Fred (Josh Ruben) é um frustrado escritor que se isola durante um final de semana em uma cabana nas montanhas para se forçar a finalmente escrever algo. Uma queda de energia o força a passar a noite com Fanny (a excelente Aya Cash), novelista bem-sucedida e basicamente tudo que ele quer se tornar. Juntos, os dois resolvem começar um jogo onde devem assustar um ao outro através de histórias de terror, mas o mais assustador para Fred é ele perceber que: sim, talvez a Fanny seja melhor que ele. Essa deliciosa comédia de horror traz um roteiro afiado e inventivo que desconstrói os ingredientes por trás do terror e ainda nos entrega 100 minutos de Aya Cash sendo uma atriz genial (e mais multifacetada do que sua participação em The Boys fez parecer).



#Alive


Em tempos de quarentena, essa belezinha aqui pipocou na Netflix. O filme sul-coreano acompanha o começo de um apocalipse zumbi pelos olhos de um gamer fracassado. Ele observa o mundo ruir da sacada de seu apartamento, até descobrir que há uma sobrevivente no prédio do lado. Divertido, tenso e super bem feito. Alive é o perfeito filme de quarentena com um twist de ação no final.



Promising Young Woman


Não se deixe enganar pelo pop chiclete, estética em tons-pastéis e momentos desconfortavelmente humorados de Promising Young Woman. Aos 45 do segundo tempo, Emerald Fennell marcou sua estreia na direção com um dos filmes mais impactantes do ano, uma desconstrução do subgênero rape-revenge (popularizado por filmes como A Vingança de Jennifer) que traz Carey Mulligan numa das atuações mais brilhantes de 2020. Ela interpreta Cassie, uma mulher com uma agenda de vingança pessoal que trabalha numa cafeteria durante o dia e passeia pelos bares durante a noite como bêbada, esperando que caras se aproveitem dela para ensiná-los uma lição.

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