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Nossas séries de horror favoritas de 2020

Continuando nossa retrospectiva de favoritos do ano passado (caso não tenha visto a parte sobre filmes, clique aqui), agora vamos eleger algumas das nossas séries favoritas de 2020. Um ano em que o crescimento circunstancial do streaming foi bastante considerável, muitas das séries aqui vêm deles, seja Netflix ou até mesmo nosso principal representante conterrâneo, Globoplay.


Se sentiu falta de alguma, deixa nos comentários!



The Haunting of Bly Manor (S02)


"Amar de verdade outra pessoa é aceitar que o trabalho de amá-la vale a dor de perdê-la." Uma das primeiras falas de A Maldição da Mansão Bly serve de prenúncio para não apenas o centro dramático da temporada inteira, mas também para nos preparar (ainda que ninguém estivesse de fato preparado) para a montanha-russa de emoções que é o segundo capítulo da antologia The Haunting. Inteiramente independente em tom e narrativa da sua antecessora, Bly Manor se tornou um dos maiores eventos televisivos do ano e fez o mundo se apaixonar pela(s) macabra(s) história(s) de amor escondidas dentro da mansão, e especialmente todo o texto queer lindíssimo por trás do relacionamento das protagonistas Dani (Victoria Pedretti) e Jamie (Amelia Eve). Mais uma vez, Mike Flanagan prova que entende sobre o que histórias de fantasmas realmente são: sobre pessoas.


Você pode escutar nosso episódio especial sobre a série aqui.



Lovecraft Country (S01)


Baseada no livro homônimo de Matt Ruff, a série usa diversas inspirações de clássicas histórias de horror e ficção-científica para falar sobre a segregação-racial nos Estados Unidos durante a década de 1950. Lovecraft Country é muito mais despretensiosa do que parecia ser. Mesmo com seu impacto e o shock value lá em cima devido às suas cenas extremamente violentas e gráficas, ainda assim, é uma grande aventura de fantasia com belíssimos toques de horror e ficção-científica. E o melhor de tudo: o próprio Lovecraft teria um troço se visse seu nome associado com uma obra tão subversiva assim.


Leia nosso texto completo falando da série aqui.



The Third Day (S01)


Minissérie da HBO estrelando o gostoso do Jude Law e grande elenco (estou brincando, mas o resto da galera envolvida é foda mesmo) é um folk horror do mais clássico: um homem em luto chega à uma ilha estranha com gente esquisita em que um festival pagão está acontecendo. A série prende principalmente por conta de sua narrativa bizarra e o visual extremamente desconfortável e bonito ao mesmo tempo. O que inicialmente parece apenas um delírio visual vai se mostrando uma história mais complexa do que parecia inicialmente até seu catártico e desesperador final. Uma das melhores de 2020 que passou despercebida por muitos, mas merece ser assistida, pois é o mindfuck perfeito para uma tarde chuvosa.



Reality Z (S01)


Baseada na série britânica Dead Set, essa belezinha aqui veio com a difícil missão de trazer o apocalipse zumbi para o Rio de Janeiro e ainda entregar algo de novo. Reality Z é uma zona do melhor tipo. Saída direto de uma esquete de comédia de improviso, são os 10 episódios mais caóticos, escrotos e cinicamente divertidos que a televisão brasileira nos proporcionou esse ano. Já que além de zombar de seu material original, ainda o usa para surpreender e entregar um produto legitimamente brasileiro. Não vá esperando algo dentro de um grande padrão de qualidade, desligue o cérebro e deleite-se com piadas escatológicas, gore absurdo, palavrões e uma deliciosamente canastrona participação especial da Sabrina Sato.



Ratched (S01)


Ame ou odeie, a verdade é que após fazer história na televisão americana e se tornar um dos produtores/showrunners mais proativos (seja isso algo positivo ou negativo no seu ponto de vista), Ryan Murphy já construiu uma identidade própria em suas produções. Ratched, projeto da Netflix estrelado pela lendária Sarah Paulson, grita Ryan Murphy em cada detalhe de sua existência. Indo em contramão ao tom e estética do material original (afinal, a série é pra ser uma prequel de Um Estranho no Ninho), Ratched assume completamente o lado camp da coisa, servindo muito visual colorido, homenagens à thrillers clássicos dos anos 50, boas doses de gore e Sharon Stone icônica com uma macaca no ombro. Além de tudo, ainda traz um belo plot de autodescoberta e aceitação da própria sexualidade.


Você pode escutar nosso episódio especial sobre a série aqui.



The Alienist: Angel of Darkness (S02)


Anunciada originalmente como uma minissérie, o suspense gótico voltou para uma segunda parte extremamente superior à sua primeira temporada. Com os personagens mais maduros e uma trama mais focada e enxuta. Angel of Darkness cria tensão de seu primeiro ao último segundo. Para uma série que começou com seu chamativo sendo dois gostosos e uma ex-atriz mirim e foi esquecida após seu lançamento, The Alienist surpreende à voltar mais forte do que nunca, mostrando que possui fôlego até para uma possível terceira temporada, o que torcemos muito para ter.



Kingdom (S02)


Série sul-coreana da Netflix, Kingdom é facilmente uma das melhores séries de gênero da plataforma atualmente, com uma trama muito bem amarrada que dosa perfeitamente o drama histórico com cenas de ação super tensas e gore absurdo por conta dos zumbis, a série envolve até quem não está acostumado com o estilo (a pouca quantidade de episódios ajuda bastante também). Perfeita para quem quer um entretenimento frenético, divertido e não-estadunidense.



Desalma (S01)


Uma das principais apostas de conteúdo original do Globoplay desse ano, a série dividiu bastante opiniões principalmente por seu estilo extremamente europeu e diálogos literários demais. Polêmicas à parte, ela possui tem um começo bem lento e perdido, mas vai encontrando seu rumo ao longo da temporada quando as peças do mistério começam a encaixar. A leva final é sensacional e o gancho para sua segunda parte já anunciada é extremamente promissor. No final das contas, Desalma foi uma das séries mais atmosféricas e envolventes que assistimos esse ano, principalmente pela imprevisibilidade de sua trama e toda a sensação de ALGO MUITO ERRADO ESTÁ ACONTECENDO que permeia a série inteira. Se você se incomodou com o piloto (que admito, é ruim), dê uma segunda chance, respire fundo e só vai que os twists da série compensam o estilo estranho.


P.S.: Cássia Kis lendária, um beijo Cássia Kis.



50 States of Fright (S01/02)


Provavelmente uma das piadas mais engraçadas de 2020 foi o finado Quibi, serviço de streaming com conteúdo exclusivo para celular (do formato à curta-duração dos episódios), cuja intenção era prover entretenimento rápido para rotinas cheias. O que eles não imaginavam era que uma pandemia fosse trancar todos em suas casas, fazendo com que o aplicativo, lançado em Abril, se tornasse oblíquo quase que de imediato. O investimento bilionário com grandes nomes da indústria foi pro ralo, com a falência sendo anunciada apenas nove meses após a estreia (risos). Dentre o conteúdo lançado em sua curta vida, esteve a antologia de terror apadrinhada por Sam Raimi 50 States of Fright, que trazia a proposta de contar histórias de horror situadas em cada um dos estados americanos. Com uma boa produção, rostos conhecidos e carismáticos e histórias criativas, infelizmente 50SoF se via limitada pelo seu formato tonto (cada um dos episódios era dividido em três capítulos rápidos). As tramas iam de uma moça obcecada pelo seu braço protético de ouro à seitas vikings milenares. Enquanto parece ter sido o fim, no momento que este post está sendo publicado, foi anunciado que a série pode ser comprada pelo streaming Roku, então talvez os outros estados restantes poderão ter suas histórias contadas no futuro.



Ju-On: Origins (S01)


Livremente baseada no clássico absoluto do Takashi Shimizu (falando sério, QUAL o problema de usar os fantasmas originais de O Grito? É o segundo reboot sem eles que saiu esse ano...), essa versão toma muito mais a base da história do que os elementos centrais dela em si, o que me irritou de início, mas depois só fui. Com episódios rápidos e uma trama um pouco cheia demais, Origins passeia entre diferentes períodos temporais e muito (MUITOS mesmo) personagens diferentes para montar sua complexa espiral de horror. Ela funciona exatamente por ir criando essa sensação de pesadelo surrealista sem retorno. E esse é seu maior mérito como uma obra separada do universo estabelecido anteriormente.



Chilling Adventures of Sabrina (S04)


Em sua precoce última aventura, Sabrina tinha uma das missões mais difíceis apresentadas pela série até agora: entregar um final à altura de seu curto e ousado tempo de vida. Entre trancos e barrancos, o sucateamento da série promovido pelo mais poderoso vilão de todos (a Netflix) não foi o suficiente para a impedir de entreter em seus últimos suspiros. Nesta temporada a série volta mais autoconsciente do que nunca, com a trama melhor amarrada desde a primeira, esta última parte é provavelmente uma das mais legais e diferentes até agora, principalmente por subverter o que o público já passou a esperar da série. Temos tramas lovecraftianas, universos paralelos, carência adolescente e um final tão apressado que pode atrapalhar a experiência de muitos, mas é tão ousado que combina muito com o tom que a série apresentou até aqui. Sentiremos sua falta, bruxinha.

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