[Crítica] Halloween definitivamente Kills


Após um (longo) ano de adiamento, Halloween Kills finalmente chega aos cinemas e, neste que é o segundo capítulo de sua planejada trilogia, David Gordon Green não poupa tempo e nem galões de sangue. O diretor dá pouco espaço para preparações, pois o filme já pula rapidamente para a ação. Afinal, trata-se clara e conscientemente de um capítulo interseccional, uma história de ponte entre o início e o grand finale — e a estrela aqui, novamente, é Michael Myers.
Se no reboot de 2018 o foco estava em Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e como o trauma dos eventos de quarenta anos atrás afetaram ela e sua família, Halloween Kills expande sua examinação para além da final girl e a história se torna sobre a comunidade de Haddonfield. De certa maneira, esta é a sequência mais ousada da franquia desde Halloween 2 (2009), dirigida por Rob Zombie — e como tal, é um filme extremamente divisivo, sem dúvidas, mas com uma abordagem indiscutivelmente diferente da marcha automática que guiou diversas continuações da franquia.
Definitivamente não é outro filme que traz o assassino fazendo vítimas numa cidade (antes) pacata, ainda que Halloween Kills não tenha vergonha de esconder que é um slasher em sua mais pura forma, seja pro bem ou pro mal. Mas é justamente ao desprender de certas amarras estruturais do subgênero, que esta sequência consegue ampliar seu escopo de personagens e, pela primeira vez, reconhecer que a vítima nunca foi apenas Laurie Strode, mas a comunidade. Assim, ao invés de ir perdendo personagens ao longo do filme, o roteiro parece ir inchando ainda mais a galeria de vítimas, escalando o senso de que há uma comoção por parte das vítimas de Myers. Da mesma forma, o roteiro mexe e desconstrói códigos característicos da série (uma pequena chase scene termina com a vítima viva, por exemplo), o que pode irritar os mais preciosistas, fazendo desta continuação, inclusive, uma resposta curiosa ao festival de fan service que foi o primeiro capítulo.

Aliás, para um filme que não apenas traz de volta figuras clássicas (das crianças salvas por Laurie no filme original à enfermeira e colega de trabalho do Dr. Loomis) como também recria e adiciona momentos chave à narrativa de 1978 através de flashbacks, Halloween Kills é, surpreendentemente, um projeto que pouco se apoia no fator nostálgico. Existe o reconhecimento de quem são esses personagens, claro, mas acima disso há o reconhecimento de que se trata de uma sequência com autonomia para brincar com as expectativas em relação à relevância dessas figuras, ou até para extrapolar plots já familiares, como o Hospital de Haddonfield ou a multidão miliciana em busca de Michael — ambos já feitos de maneira mais contida em Halloween II (1981) e Halloween 4 (1988), respectivamente. E tudo é realizado com um cinismo tão delicioso e intenso que, acredito, não reste ao fã mais do que essas duas opções: ou rejeita e odeia a ideia, ou a abraça e ama muito.
Seja como for, é preciso admitir que trata-se de um caso curioso, pois slashers raramente se dão a oportunidade de tomar grandes proporções como as vistas aqui. Afinal, o isolamento dos personagens costuma ser essencial para a nossa suspenção de descrença nesse tipo de história. Tire esse elemento e o tiro no pé pode ser certeiro. Porém, o filme não apenas consegue sustentar a atmosfera de insegurança enquanto a cidade inteira entra em polvorosa, como também encontra espaço para reconhecer as perdas humanas no meio do caminho (sejam vítimas de Michael ou dos próprios cidadãos), e isso num filme em que o assassino da máscara branca está mais implacável do que nunca — a contagem de corpos é frenética.

Assim, Halloween Kills explora e desenvolve o trauma coletivo de uma comunidade que, canonicamente ou não, sempre esteve marcada por tragédia, mas nunca assumiu o protagonismo dessas histórias. Jamie Lee Curtis e sua personagem de 60 anos gravemente esfaqueada é (compreensivelmente) deixada descansando enquanto os coadjuvantes, clássicos, recentes ou inéditos, tomam a dianteira na caçada contra Michael motivados por seus traumas particulares. Esse é o caso de Allyson (Andi Matichak), neta de Laurie, e sua sede de vingança pela morte do pai; do policial Hawkins (Will Patton), e seu histórico com o mascarado na noite de 1978; de Tommy Doyle (Anthony Michael Hall) e seu comportamento inflamável, e mesmo da população cega de medo e raiva frente à incapacidade da força policial em dar fim na matança; “O sistema falhou conosco”, diz um deles, partindo para fazer justiça com as próprias mãos e trazendo ainda mais tragédia. Essas particularidades, ainda que não sejam aprofundadas, emergem o suficiente para justificar a dor daquelas pessoas e engrandecer Michael como uma figura mitológica que faz jus ao seu apelido de "Bicho-Papão", explorando assim a relação simbiótica do vilão com o caos que ele traz consigo.
O que, por fim, dá abertura para que Myers surja brutal como nunca — é sua versão mais implacável desde os filmes do Rob Zombie. David Gordon Green entende essa abertura e traz mortes altamente estilizadas, numa direção que destaca o gore delicioso e muito sangue espirrado na tela sem deixar o tom realístico da ação que essa trilogia assumiu. E tudo ao som das incomparáveis canetadas do papai John Carpenter, mais uma vez assinando a trilha sonora do filme com releituras dos temas clássicos da série e novas faixas tão boas e vibrantes quanto.

Agora, a dupla David Gordon Green e Danny McBride repetem alguns erros de sua escrita frágil, já evidenciados no filme de 2018. Ainda que tenha um ritmo consideravelmente mais afinado que o do anterior, o roteiro segue não compreendendo a importância da antecipação e entrega. Mesmo com uma cena em particular estrelando Lindsay (Kyle Richards) se destacando, o filme não explora os set pieces bem elaborados e nem investe em cenas de perseguição; tudo é realizado de maneira muito imediatista — o que, pelo menos desta vez, combina com a intensidade dos conflitos, diferente do filme de 2018, por exemplo. Já a ausência de uma estrutura mais clássica pode incomodar, afinal, essa sequência se comporta como uma extensão do pesadelo, um longo e violento epílogo do anterior. E ciente de sua posição entre-filmes na trilogia, Kills sabe resolver as problemáticas que cria, sem deixar de preparar terreno para o que vem depois — ainda assim, provavelmente deve funcionar melhor em uma maratona no futuro. Além disso, Gordon Green e McBride não conseguem compor personagens que se comunicam como pessoas reais, pendendo mais para o camp (como qualquer filme da Judy Greer) do que para a pegada sóbria que adotam na ação. Seja Laurie ou quem for, as pessoas estão sempre soltando frases de efeito como se todos fossem o surtado do Dr. Loomis nos filmes originais.
Trocando por miúdos, Halloween Kills é um filme bem mais voltado para quem não gostou da proposta de Halloween (2018). E isso não quer dizer que seja impossível gostar de (ou odiar) ambos. É perfeitamente possível saborear a abordagem nostálgica do primeiro e abraçar a desconstrução do seu legado nessa sequência. O fato é: Kills toma algumas decisões bem corajosas, enquanto prepara ganchos pra um promissor embate final. É um slasher intenso, cruel e visceral, o que também significa que é um filme que entrega exatamente o que promete: muitas, muitas, muitas mortes. Tudo, numa noite de Halloween, claro.

HALLOWEEN KILLS
2021 | EUA | 105 minutos
Direção: David Gordon Green
Roteiro: David Gordon Green, Danny McBride
Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton, Anthony Michael Hall, Kyle Richards, Dylan Arnold, Robert Longstreet


![[49ª Mostra] 'O Beijo da Mulher Aranha' sonha em technicolor, mas é espetáculo sem vida](https://static.wixstatic.com/media/9c160f_8b7a57f59e8a4a6ba1a7d1b419f46245~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_551,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/9c160f_8b7a57f59e8a4a6ba1a7d1b419f46245~mv2.jpg)
![[49ª Mostra] Que ninguém durma nas 'Ruas da Glória'!](https://static.wixstatic.com/media/fcae61_aaac88c7bf574e6b8051db0be856ac64~mv2.png/v1/fill/w_980,h_551,al_c,q_90,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/fcae61_aaac88c7bf574e6b8051db0be856ac64~mv2.png)
Mình đang chọn máy lạnh cho phòng ngủ và muốn tìm hiểu hàng nội địa Nhật. Khi vào https://maylanhnoidianhat.vn/, mình thấy nhiều dòng Toshiba, Mitsubishi, Hitachi, Daikin và Panasonic, bên cạnh tủ lạnh, máy giặt, bếp từ. Thông tin theo công suất và model giúp mình khoanh vùng sản phẩm phù hợp diện tích phòng trước khi hỏi kỹ về tình trạng máy. Vì nhiều thiết bị nội địa sử dụng điện áp khác, mình sẽ xác nhận bộ đổi nguồn, công suất tiêu thụ, năm sản xuất, độ ồn, tính năng làm sạch và vật tư đi kèm khi lắp đặt. Nếu chọn máy đã qua sử dụng, mình muốn xem máy chạy thực tế, kiểm tra dàn nóng,…
I came across block breaker google while browsing a forum thread about classic games remade for browsers. Gave it a shot and was surprised by how smooth the physics felt, the ball bounces predictably enough to feel fair, but there's still enough challenge to keep you focused. No pop-ups or redirects getting in the way, which isn't always the case with free browser games. Loads quickly regardless of connection speed in my experience. A solid choice if you're after that familiar brick-breaker feel without needing to install an app.
Cuối tuần trước, gia đình mình từ Hà Nội xuống Hải Phòng rồi đi tiếp ra Cát Bà. Vì có người lớn tuổi và trẻ nhỏ nên mình cần biết thời điểm nào dễ mưa để chủ động đến bến phà. Trước khi khởi hành, mình mở https://thoitiethomnay.org/hai-phong/ để xem tình hình hiện tại, khả năng mưa và dự báo theo từng giờ. Thấy buổi chiều có khả năng mưa cao hơn, cả nhà đổi lịch, đi phà sớm và dành thời gian sau đó cho hoạt động trong nhà. Mình cũng chú ý nhiệt độ cảm nhận và độ ẩm vì khu vực ven biển có lúc không quá nóng nhưng vẫn khá oi. Sáng hôm sau, trước khi vào…
https://xx88.today/ mình mở lên bằng điện thoại tối qua để giết thời gian và tiện xem họ trình bày nội dung ra sao. Vào trang là thấy các tiêu đề đặt theo từng khối rõ ràng, kiểu nhìn một cái là biết chỗ nào là cập nhật tin tức, chỗ nào là phần giải đáp cho người mới, nên lướt nhanh mà vẫn nắm được ý chính. Mình có đọc trúng đoạn hỏi về giao dịch trong ngày, họ ghi thẳng là có hỗ trợ và nói chung về mấy kênh thanh toán theo từng thời điểm, đỡ phải ngồi đoán hoặc mò ở chỗ khác (đọc kiểu này đỡ mệt não). Thanh menu nằm chỗ dễ thấy, bấm qua…
Hitclub mình mới lướt thử vì thấy bạn bè nhắc hoài, kiểu vào xem giao diện ra sao chứ không có ngồi nghiên cứu gì nhiều. Cảm giác đầu tiên là trang nhìn khá “sạch”, chữ với mảng nội dung chia khúc rõ nên kéo xuống không bị rối mắt. Mình có thấy họ ghi thông tin ra mắt từ 2015 và có nhắc giấy phép PAGCOR, đọc lướt cho biết vậy thôi. Điểm mình thích là chuyển qua lại các mục không bị giật lag, bấm cái là ra đúng chỗ, không phải mò lâu. Nói chung nhìn thân thiện, dễ chịu, kiểu ai mới vào cũng biết đang ở phần nào. Cuối trang kéo xuống vẫn giữ kiểu…